Um estudo realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica em 2024 apontou a deterioração da qualidade da água nos rios do bioma, com apenas 7,6% dos pontos analisados classificados como bons, enquanto 13,8% foram considerados ruins e 3,4%, péssimos. A maioria (75,2%) apresentou qualidade regular, indicando vulnerabilidade dos recursos hídricos. Nenhum local atingiu a classificação ótima. O levantamento, que analisou 112 rios em 14 estados, destacou a insuficiência do saneamento básico como principal causa do problema, afetando biodiversidade e saúde pública. Casos como o Rio Pinheiros, em São Paulo, ilustram décadas de degradação devido à urbanização desordenada e ao despejo de esgoto.
O relatório também identificou iniciativas isoladas de recuperação, como o projeto no Parque da Fonte Peabiru, em São Paulo, onde um sistema alternativo de tratamento de esgoto demonstrou resultados positivos. Essas soluções locais, baseadas na natureza, mostram potencial, mas exigem esforços coordenados entre sociedade, governo e empresas para serem ampliadas. A pesquisa reforça a necessidade de políticas integradas e maior participação social nos comitês de bacias hidrográficas, especialmente diante das metas de universalização do saneamento até 2033.
Além da falta de investimentos em saneamento, o estudo alerta para desafios como o despejo irregular de resíduos sólidos e agrotóxicos, que agravam a poluição. Especialistas defendem medidas urgentes, como a proteção de nascentes e a restauração de matas ciliares, além da pressão sobre autoridades e empresas para garantir ações concretas. O cenário exige mobilização contínua para reverter a degradação e assegurar água limpa para as futuras gerações.