Prevenir o declínio cognitivo é um passo fundamental para garantir um envelhecimento saudável, e um novo estudo publicado na revista PNAS em março trouxe importantes descobertas sobre quando as intervenções para preservar a saúde cerebral podem ser mais eficazes. A pesquisa analisou a comunicação funcional entre regiões cerebrais de mais de 19.300 pessoas em diferentes estágios da vida e mostrou que as redes cerebrais se degradam de maneira não linear, com pontos de transição claros ao longo do tempo.
Os pesquisadores identificaram que, por volta dos 44 anos, o cérebro começa a experimentar uma diminuição na energia disponível, com um pico de aceleração do processo de degeneração por volta dos 67 anos. Esse período de meia-idade é considerado crucial, pois ainda é possível intervir antes que ocorram danos irreversíveis. O estudo sugere que, durante essa fase, os neurônios enfrentam estresse metabólico devido à falta de combustível, mas ainda podem ser sustentados se houver intervenções adequadas.
Uma das principais descobertas do estudo é a relação entre resistência à insulina e o envelhecimento do cérebro. Mudanças metabólicas, como a resistência à insulina, precedem alterações vasculares e inflamatórias, e as análises indicaram que aumentar a capacidade do cérebro de utilizar cetonas, um combustível alternativo, pode ser benéfico. Os pesquisadores também testaram a administração de glicose e cetonas em diferentes faixas etárias, observando que as cetonas estabilizam as redes cerebrais, especialmente durante a meia-idade, mostrando um potencial promissor para prevenir o declínio cognitivo e doenças neurodegenerativas como o Alzheimer.