A teleconsulta, impulsionada pela pandemia, tem se mostrado uma alternativa eficaz para expandir o acesso à saúde, especialmente para pacientes com diabetes tipo 2 no Sistema Único de Saúde (SUS). Um estudo realizado pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz, publicado na revista The Lancet, comparou o acompanhamento remoto com consultas presenciais e concluiu que a telemedicina é tão segura e eficaz quanto o modelo tradicional. A pesquisa, que envolveu 278 pacientes em Joinville (SC), destacou que a modalidade pode beneficiar populações isoladas ou com dificuldades de deslocamento, sem comprometer a qualidade do tratamento.
Apesar dos resultados positivos, especialistas ressaltam que a teleconsulta não substitui totalmente o atendimento presencial, mas complementa a rede de saúde. Rosa Lucchetta, gerente de pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, enfatiza que o objetivo é oferecer acesso sem reduzir benefícios ou segurança. Além disso, a integração com serviços presenciais, como exames e encaminhamentos, é essencial para garantir a eficácia do modelo. O Conselho Federal de Medicina (CFM) também defende a telemedicina como uma ferramenta adicional, não como solução única, especialmente em emergências.
O Ministério da Saúde destacou o crescimento da telessaúde no SUS, com 4,6 milhões de teleatendimentos realizados entre 2023 e 2024. A pasta planeja expandir a infraestrutura para regiões remotas e vulneráveis, garantindo conectividade e segurança dos dados. Para Ilara Hämmerli, pesquisadora da Fiocruz, o desafio é integrar a telessaúde à rede de atenção básica, assegurando atendimento integral e resolutivo. A estratégia, embora promissora, exige investimentos em tecnologia e capacitação para alcançar toda a população.