Um estudo desenvolvido em São José do Rio Preto e Monte Aprazível, no noroeste de São Paulo, demonstra que o cultivo de baunilha, a segunda especiaria mais cara do mundo, é viável na região, apesar das altas temperaturas e da umidade. A pesquisa, iniciada em 2019, testou dois métodos: o sistema agroflorestal, combinando baunilha com seringueiras, e o cultivo protegido, com sombreamento artificial. Embora a seringueira não tenha se mostrado ideal devido à perda de folhas no inverno, o cultivo em áreas sombreadas apresentou resultados promissores, oferecendo uma alternativa para pequenos produtores diversificarem suas lavouras.
O projeto, liderado por uma professora da Fatec Rio Preto em parceria com a Etec de Monte Aprazível, envolve irrigação para manter a umidade necessária durante a estiagem. A polinização manual foi necessária em 2023 e 2024 devido às ondas de calor, que reduziram a produção. A baunilha, uma orquídea de valor comercial, é usada na culinária e por indústrias alimentícias, cosméticas e farmacêuticas, mas sua produção no Brasil ainda é incipiente, dependendo majoritariamente de importações.
Estudantes da Etec de Monte Aprazível participam do acompanhamento do cultivo, destacando a importância educacional e comercial da iniciativa. Com cada pé produzindo até 1 kg de fava verde por ano, a baunilha pode se tornar uma cultura rentável, mesmo em pequenas áreas. A pesquisa abre caminho para expandir o cultivo local, reduzindo a dependência de importações e fortalecendo a economia regional.