Heloísa Teixeira, escritora, professora e crítica literária, morreu aos 85 anos no Rio de Janeiro, vítima de complicações respiratórias. Membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), ela foi a décima mulher a ocupar uma cadeira na instituição, sucedendo Nélida Piñon e marcando a primeira vez em 126 anos que uma imortal substituiu outra. Heloísa era conhecida por seu engajamento feminista desde os anos 1960, enfrentando resistência de setores como a esquerda, a igreja e a ditadura da época.
Além de sua trajetória acadêmica na Universidade Federal do Rio de Janeiro, ela criou o projeto Universidade das Quebradas, promovendo diálogo entre artistas periféricos e o meio intelectual. Em sua posse na ABL, optou por abandonar sobrenomes patriarcais, adotando apenas o da mãe, gesto simbólico de sua luta pela autonomia feminina. “São um total de dez mulheres para 339 homens na Academia. Absurda essa percentagem”, destacou em discurso.
Sua morte gerou comoção entre colegas e admiradores, que destacaram seu caráter revolucionário e alegre. O presidente da ABL, Merval Pereira, lembrou que Heloísa “não tinha marras, mas vontades e paixões”. Rosiska Darcy, também da Academia, ressaltou seu papel transformador em diversas áreas do país. Seu legado permanece como inspiração para a literatura e o feminismo no Brasil.