O documentário dirigido pela afilhada de Rutger Hauer, Sanna Fabery de Jonge, apresenta uma reflexão sobre a carreira do ator holandês, conhecido principalmente por seu papel em “Blade Runner”, de Ridley Scott. A obra se destaca pelo uso de imagens inéditas de Hauer, filmadas em 16mm, que proporcionam uma visão mais pessoal de sua trajetória. Através dessas imagens e entrevistas com pessoas próximas, como o diretor Paul Verhoeven e a atriz Whoopi Goldberg, o filme traça o perfil de um ator talentoso, mas que não conseguiu alcançar todo o seu potencial devido à dificuldade de Hollywood em encontrar seu espaço.
A narrativa do documentário, embora interessante, não traz grandes novidades sobre a vida de Hauer. O filme segue um caminho previsível ao confirmar o que já se sabia sobre o ator: uma figura que, apesar de sua habilidade, sempre teve dificuldade em encontrar papéis que o definissem de maneira consistente na indústria cinematográfica americana. O filme é, em grande parte, uma homenagem afetiva, mas não oferece grandes revelações sobre sua vida ou carreira.
O ponto mais forte do documentário é, sem dúvida, a discussão sobre a colaboração de Hauer com o diretor Paul Verhoeven, especialmente em relação ao filme “Flesh and Blood”, de 1985. Verhoeven admite que, embora tenha sido fundamental para o sucesso inicial de Hauer, essa parceria foi também um fator que dificultou seu crescimento dentro de Hollywood. O diretor revela seu arrependimento por insistir que Hauer participasse do projeto, apesar do desejo do ator de interpretar heróis, ao invés de vilões. A sinceridade de Verhoeven, refletindo sobre as escolhas feitas, traz uma dimensão emocional à narrativa, apesar da falta de grandes inovações no documentário.