A nova série documental “Operação Transplante”, que estreia no Discovery Home & Health e na Max, acompanha a trajetória de 18 pacientes na fila de transplante de órgãos no Brasil, além das equipes médicas que trabalham contra o tempo para garantir a viabilidade dos procedimentos. Com oito episódios, a produção mistura histórias de doações pós-morte e intervivos, como a de Leonardo, que recebeu um rim da esposa após sofrer insuficiência renal decorrente da covid-19. A série captura desde a angústia da espera até a complexidade logística dos transplantes, destacando o “tempo de isquemia” — período crítico em que o órgão pode ser transplantado com sucesso.
A equipe de filmagem enfrentou desafios imprevisíveis, como a necessidade de acompanhar pacientes prioritários na lista de espera e a dependência de fatores como sorte e timing. Rodrigo Astiz, diretor-geral da coprodutora Mixer Films, explica que o objetivo era humanizar as histórias, mostrando não apenas o aspecto médico, mas também o emocional. Cenas delicadas, como cirurgias, foram tratadas com sensibilidade para evitar sensacionalismo, mantendo o foco na informação e na conexão com o público. A produtora Adriana Cechetti reforça que a equipe contou com apoio psicológico devido ao impacto das narrativas, incluindo casos sem finais felizes.
O médico Francisco Monteiro, coordenador do Sistema Estadual de Transplantes de São Paulo, acredita que a série pode impulsionar as doações de órgãos ao esclarecer o processo e desmistificar preocupações. Ele cita o caso do apresentador Faustão, cujo transplante de coração gerou discussões sobre critérios como compatibilidade sanguínea e tamanho do órgão. Com cerca de 45 mil pessoas aguardando por um transplante no país — 42 mil delas por um rim —, a produção surge como um chamado à conscientização. “Doem órgãos, porque não é nenhum bicho de sete cabeças”, reforça Leonardo, destacando a gratificação de salvar vidas.