Todos os anos, cerca de 39 mil toneladas de roupas são abandonadas ilegalmente no deserto do Atacama, no Chile. Essas peças, muitas nunca usadas e ainda com etiquetas, vêm principalmente de marcas globais que descartam excedentes não vendidos. Apesar de uma lei chilena proibir o descarte de têxteis em aterros comuns, o problema persiste há décadas, criando um lixão a céu aberto que simboliza o desperdício e a poluição da indústria da moda.
Uma iniciativa liderada por organizações brasileiras e chilenas está recolhendo essas roupas para distribuí-las gratuitamente, cobrando apenas o frete. O objetivo é alertar sobre o impacto ambiental do fast fashion, que produz em excesso e gera resíduos não biodegradáveis, como o poliéster, que pode levar até 200 anos para se decompor. A ação já esgotou centenas de peças em poucas horas, mostrando a demanda por alternativas sustentáveis.
A indústria da moda é uma das mais poluentes do mundo, responsável por 10% das emissões globais de carbono e pelo consumo excessivo de água. Especialistas defendem a necessidade de regulamentações mais rígidas para responsabilizar as empresas pelo descarte inadequado e reduzir o impacto ambiental. Enquanto isso, iniciativas como a do Atacama buscam conscientizar o público e transformar o lixo em oportunidade, pressionando por mudanças no sistema.