A economista Juliane Furno, em entrevista ao jornalista Leandro Demori, aborda questões cruciais sobre a política monetária dos Estados Unidos, as tensões comerciais internacionais e a situação econômica do Brasil. Ela destaca que a hegemonia das ideias liberais no debate econômico tem levado à falta de diversidade de perspectivas, tornando a discussão mais rasa e sem espaço para um contraditório construtivo. Segundo Furno, a atual conjuntura global oferece uma oportunidade para mudanças significativas, especialmente com a ascensão de potências como China, Rússia, Indonésia e Índia, que desafiam a supremacia dos Estados Unidos.
Furno também discute o impacto da política monetária dos EUA, que enfrenta desafios em diversas áreas, como a ascensão da China no setor tecnológico e a guerra na Ucrânia. Em vez de adotar uma postura defensiva, o governo dos EUA, especialmente sob a liderança de Donald Trump, tem optado por uma estratégia agressiva, intensificando disputas comerciais e buscando expandir sua influência no cenário global. A economista analisa como o protecionismo, embora tenha potencial para fortalecer a indústria interna americana no curto prazo, gera efeitos inflacionários e prejudica o consumidor, aumentando os preços de produtos essenciais como carros e eletrodomésticos.
Além disso, Furno alerta sobre as consequências de uma política de tarifas elevadas, que ao combater a inflação por meio de altas taxas de juros, pode reduzir o crescimento econômico e aumentar o desemprego. No entanto, ela acredita que o Brasil deve aproveitar este momento de reconfiguração da ordem econômica global para negociar e fortalecer sua posição no cenário internacional, especialmente diante das disputas entre EUA e China.