No início de 2025, a economia brasileira apresentou sinais de desaceleração, com um crescimento de 0,3% entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, inferior à expansão de 0,5% observada no mês anterior. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), essa desaceleração é atribuída, em parte, à incerteza no cenário internacional e à alta taxa de juros interna, que tem impactado diretamente os setores mais sensíveis ao ciclo econômico, como a indústria e os investimentos. A volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos e suas políticas protecionistas também têm gerado apreensão, especialmente no setor de exportação, afetando negativamente o comércio entre o Brasil e outros países.
A taxa Selic, atualmente em 13,25% ao ano, continua sendo a principal ferramenta do Banco Central para controle da inflação, mas seu efeito sobre o consumo e o crédito é evidente, com a redução na demanda e o desaquecimento da economia. O crescimento da economia no ano foi de 2,5% em janeiro em comparação ao mesmo mês de 2024, mas o cenário ainda aponta para uma desaceleração generalizada. A FGV destaca que, apesar disso, a expectativa de uma safra agrícola recorde para 2024/25 pode trazer alívio para a atividade econômica, principalmente para o setor agropecuário.
O estudo da FGV também revelou uma desaceleração no consumo das famílias e nos investimentos, com uma variação de 8,8% na Formação Bruta de Capital Fixo no trimestre encerrado em janeiro. As exportações brasileiras apresentaram queda de 2,5%, influenciadas pela baixa performance dos produtos agropecuários e da indústria extrativa mineral. Apesar de sinais de desaceleração, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) apontou uma expansão de 0,9% entre dezembro e janeiro, sugerindo que a economia ainda segue em crescimento, embora com dificuldades.