A Páscoa de 2025 deve ser mais cara devido ao aumento expressivo no preço do cacau, que quase triplicou nos últimos anos. O fenômeno é impulsionado pela redução da oferta global, especialmente em Gana e Costa do Marfim, responsáveis por 70% da produção mundial, onde mudanças climáticas afetaram as safras. O preço da tonelada disparou de US$ 2,9 mil em março de 2023 para mais de US$ 8 mil recentemente, pressionando a indústria de chocolates. No Brasil, a produção nacional de cacau não supre a demanda, obrigando o país a importar do continente africano, enquanto a moagem de amêndoas recuou 9,5% em 2024.
A escassez de matéria-prima já impacta o mercado, com a Abicab projetando uma queda de 22,4% na oferta de ovos de Páscoa em 2025. Pesquisas da Fipe indicam que chocolates subiram 27% no preço, enquanto ovos ficaram 9,5% mais caros. Para mitigar os custos, as indústrias buscam alternativas, como reformular produtos com ingredientes mais acessíveis ou lançar novos itens, mas isso levanta preocupações sobre a qualidade dos chocolates comercializados.
Apesar dos desafios, especialistas veem oportunidades para o Brasil ampliar sua produção, com projeções de crescimento de 170 mil para 200 mil toneladas em 2025. No entanto, mesmo com esse avanço, o déficit entre oferta e demanda deve persistir, mantendo a pressão sobre os preços e a necessidade de adaptação do setor.