A saúde pública em Ananindeua enfrenta uma crise profunda, marcada por denúncias de má gestão, desvios de recursos e unidades fechadas. O Pronto-Socorro Municipal (PSMA), inaugurado há oito meses com um custo superior a R$ 20 milhões, opera com capacidade mínima: apenas quatro pacientes estavam internados em leitos de cirurgia eletiva, enquanto os 10 leitos de UTI permanecem vazios. Imagens mostram corredores e salas desocupados, contrastando com a superlotação em outras unidades da região. O vereador responsável pelas gravações denunciou o desperdício de recursos e o descaso com a população, que é orientada a buscar atendimento em outras cidades.
O problema é agravado por questões judiciais e financeiras. A prefeitura adquiriu o imóvel onde o PSMA está instalado, mas não quitou uma dívida de R$ 4,3 milhões com os antigos proprietários, o que levou a uma decisão judicial limitando seu funcionamento. Embora o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tenha suspendido a restrição, o atendimento permanece incompleto. Enquanto isso, pacientes são redirecionados para unidades estaduais, sobrecarregando hospitais em Belém e outros municípios vizinhos.
O Ministério Público do Pará investiga possíveis irregularidades na gestão da saúde local, incluindo um suposto desvio de R$ 261,3 milhões. Um pedido de intervenção estadual no setor foi encaminhado ao Tribunal de Justiça, alegando violação sistemática de direitos fundamentais, como o acesso à saúde. A situação revela um colapso na administração pública, com impactos diretos na vida da população, que enfrenta dificuldades para receber atendimento médico básico.