A história de um feminicídio que abalou uma família no Brasil traz à tona os horrores vividos por duas crianças de 2 e 5 anos, que presenciaram a morte de sua mãe e a ocultação do corpo pelo pai. As crianças, que estão sendo acompanhadas psicologicamente, passaram por experiências traumáticas difíceis de serem processadas, como a visão de sua mãe sendo morta e o subsequente pedido para que ela fosse retirada de uma geladeira onde o corpo foi colocado. Além do sofrimento emocional, a dor da perda é agravada pela falta de uma estrutura de apoio adequada, o que intensifica o impacto da tragédia.
O episódio, que resultou em um processo judicial, destaca as graves consequências dos feminicídios, especialmente para as crianças envolvidas. A psicóloga do programa estadual “Empoderadas” explica que esses jovens se tornam órfãos duplos, afetados tanto pela perda de suas mães quanto pela presença de seus pais, que frequentemente são os agressores. O luto para essas crianças é complexo e pode gerar distúrbios emocionais, como sentimentos de culpa e comportamentos agressivos, sendo crucial um apoio especializado para ajudá-las a entender a perda e superar o trauma.
Além dos aspectos emocionais, o crime trouxe sérias consequências financeiras para os avós das crianças, que passaram a ser responsáveis pelo cuidado delas, enfrentando dificuldades financeiras e estruturais em sua casa. Apesar da situação, a família continua buscando dar o melhor acolhimento possível, embora a dor e o vazio deixados pela perda da filha e mãe sejam imensuráveis. As mudanças nas leis de feminicídio, com aumento de pena em situações como a vivida pelas crianças, visam proporcionar um maior apoio legal e uma resposta mais eficaz contra esses crimes, que deixam marcas profundas nas vítimas e suas famílias.