O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) deve elevar a taxa Selic de 13,25% para 14,25% ao ano nesta quarta-feira, o que representaria o maior nível desde agosto de 2006. A decisão busca combater a inflação, que continua pressionando a economia, com a expectativa de que a alta dos juros desacelere o crescimento. Esta será a quinta elevação consecutiva da taxa, refletindo a necessidade de controlar os preços em um cenário de economia aquecida e inflação em alta. O aumento também ocorre sob a presidência do novo chefe do Banco Central, Gabriel Galípolo, que assumiu o cargo no início de 2025.
A inflação oficial de fevereiro foi de 1,31%, o maior índice para o mês desde 2003, e acumula uma alta de 5,06% nos últimos 12 meses. Em resposta a esses números, o Banco Central mantém sua política de juros elevados para garantir que a inflação se mantenha dentro da meta estabelecida de 3%. Para tanto, o BC projeta uma redução da atividade econômica, visando moderar a inflação sem comprometer o crescimento a longo prazo. A alta dos juros é vista como uma ferramenta eficaz para reduzir a pressão inflacionária, apesar das críticas de que ela possa afetar negativamente o crescimento do PIB e aumentar a dívida pública.
Especialistas apontam que o aumento da Selic pode ter várias repercussões na economia, como o crescimento da taxa de juros bancários, o enfraquecimento do consumo e um impacto negativo nas contas públicas devido ao aumento da despesa com juros da dívida. Ao mesmo tempo, investimentos em renda fixa, como o Tesouro Direto, tendem a oferecer rendimentos mais atrativos em um cenário de juros elevados. Esses fatores criam um cenário de desafios econômicos para o governo, mas a medida é vista como necessária para alcançar as metas de inflação estabelecidas para os próximos anos.