O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve anunciar, nesta quarta-feira, um aumento da taxa Selic de 13,25% para 14,25% ao ano, alcançando o maior patamar desde 2006. Este movimento ocorre em meio a um cenário de inflação crescente, que em fevereiro atingiu 1,31%, o maior índice para esse mês desde 2003. O Banco Central busca conter as pressões inflacionárias e desacelerar a economia, tendo em vista que o Produto Interno Bruto (PIB) de 2024 mostrou sinais de enfraquecimento.
Este aumento é o quinto consecutivo na taxa de juros e reflete as ações do novo presidente do Banco Central, que assumiu a liderança da instituição em janeiro deste ano. A decisão também reflete as novas diretrizes da autonomia operacional do Banco Central, que determinam mandatos fixos para seus diretores. Além disso, a inflação oficial acumulada nos últimos 12 meses chega a 5,06%, acima da meta estabelecida pelo governo.
O impacto de uma Selic mais alta tende a afetar diversos aspectos da economia brasileira, como o aumento nos juros bancários, a desaceleração do crescimento econômico e o impacto negativo nas contas públicas, com um aumento nas despesas com juros da dívida. Embora esse cenário possa beneficiar investimentos de renda fixa, ele também pode desincentivar o mercado acionário e dificultar o consumo e os investimentos produtivos. A medida, no entanto, é criticada por alguns membros do governo, que argumentam contra o uso dos juros elevados como ferramenta para controlar a inflação.