Nicolas Baldeyrou, renomado clarinetista, inicia um ambicioso projeto para gravar a obra de câmara e concertante de Mozart para clarinete, utilizando instrumentos de época. A primeira parte da série inclui duas serenatas compostas por Mozart para uma nova formação de banda de sopro da corte do Imperador José II, além de sua magistral “Gran Partita”, que reúne 13 instrumentos de sopro. As duas serenatas, compostas em 1781 e 1782, contrastam fortemente, sendo a peça em Dó menor (K388) mais complexa e ambiciosa que a em Mi bemol (K375). No entanto, é a “Gran Partita” que se destaca por sua grandiosidade e diversidade de expressão ao longo de suas sete partes.
A interpretação dos três trabalhos pelo conjunto de Baldeyrou é elogiada por sua tonalidade vibrante e caracterização precisa. O uso de instrumentos de época dá um caráter distinto à performance, com as oboés e fagotes apresentando uma sonoridade rica e ao mesmo tempo ágil, enquanto o clarinete de Baldeyrou exibe uma impressionante destreza técnica. A execução das peças é bem equilibrada, com destaque para a clareza e energia, sem perder a profundidade musical.
Embora algumas performances da “Gran Partita” possam explorar um maior grau de melancolia em sua célebre movimentação “Adagio”, a interpretação de Baldeyrou mantém uma leveza e clareza que não comprometem o impacto emocional da peça. A gravação apresenta uma abordagem vibrante e tecnicamente impressionante, mostrando um excelente domínio da música de Mozart para instrumentos de sopro. A série promete ser uma contribuição valiosa ao repertório clássico, com a promessa de mais obras de Mozart sendo revisadas com esta visão autêntica.