Um levantamento do Jornal Opção revelou que o centro de Goiânia sofre com a escassez e a má conservação de lixeiras públicas. Em uma área de 765.313 m², há apenas uma lixeira a cada 2.500 m², número considerado insuficiente por especialistas. Das 296 lixeiras existentes, 78 estão danificadas, agravando o problema do descarte irregular de resíduos em vias movimentadas, como a Avenida Anhanguera e a Rua 4. Comerciantes relatam que a coleta de lixo é irregular e que a falta de conscientização da população piora a situação.
Urbanistas destacam que a gestão pública falha na manutenção do mobiliário urbano, especialmente em áreas de grande circulação. A terceirização dos serviços gera disputas de responsabilidade, deixando lixeiras quebradas sem reparos. Além disso, a Prefeitura alega falta de recursos para investir R$ 12 milhões necessários para melhorar o sistema de limpeza, enquanto o aterro municipal opera sem licença ambiental desde 2014. Especialistas defendem um planejamento urbano mais eficiente, com aumento de lixeiras e campanhas educativas para promover a participação cidadã.
A crise de resíduos em Goiânia também reflete a baixa taxa de reciclagem no Brasil, que gira em torno de 2,4% a 8,3%. Estudos apontam que investimentos em coleta seletiva e cooperativas poderiam gerar milhares de empregos e reduzir perdas econômicas. Soluções propostas incluem a ampliação de ecopontos, incentivos à compostagem doméstica e maior fiscalização. Enquanto isso, a Secretaria de Infraestrutura Urbana afirma estar mapeando a situação para redistribuir lixeiras, e a Agência Municipal do Meio Ambiente intensificou multas por descarte irregular, reforçando a necessidade de uma gestão compartilhada entre poder público e população.