Há 100 anos, a represa Billings foi criada para abastecer uma usina hidrelétrica, mas, ao longo do tempo, tornou-se um recurso multifuncional na região metropolitana de São Paulo. Além de gerar energia, ela fornece água tratada para parte do ABC Paulista e da Zona Sul, serve como via de transporte aquático e espaço de lazer. No entanto, a proliferação de algas, agravada pelo despejo clandestino de esgoto e pelas mudanças climáticas, compromete a qualidade da água e aumenta os custos de tratamento, além de afetar a vida aquática.
A ocupação desordenada do entorno também representa um desafio, com comunidades instaladas em áreas sem infraestrutura adequada, como saneamento básico. Projetos de revitalização, como o do Cantinho do Céu, buscam melhorar as condições locais, mas problemas persistem. A Emae, responsável pela represa, tem diversificado a matriz energética com usinas flutuantes e painéis solares para reduzir a dependência dos recursos hídricos, diante da instabilidade climática.
Criada artificialmente por meio de obras de engenharia, a Billings surgiu da inversão do fluxo do Rio Pinheiros e da construção de diques para armazenar água durante períodos de seca. Sua história reflete tanto a inovação tecnológica quanto os impactos ambientais e urbanos de grandes projetos em áreas metropolitanas. Hoje, enquanto celebra seu centenário, a represa simboliza os desafios de conciliar desenvolvimento, sustentabilidade e qualidade de vida em uma das maiores cidades do país.