Desde fevereiro, o estado do Ceará tem sido alvo de uma série de ataques a provedores de internet, liderados por facções criminosas que tentam expandir suas atividades para além do tráfico de drogas. Até o momento, foram registrados pelo menos oito ataques em cidades como Fortaleza, Caucaia e São Gonçalo do Amarante. Esses ataques incluem destruição de fiações, queimadas de veículos e ameaças às empresas, com a exigência de pagamento para garantir a continuidade do serviço. Especialistas indicam que esse modelo de atuação já é comum em outras regiões do Brasil, como o Rio de Janeiro, e visa gerar mais lucro para as organizações criminosas.
As facções criminosas, operando de forma estruturada, tentam impor o monopólio de serviços essenciais, como internet e gás, em diversas comunidades. Essa estratégia é descrita por pesquisadores como uma tentativa de “industrializar” o crime, criando um modelo de negócios paralelo ao do Estado. No Ceará, a imposição desses serviços, acompanhada de extorsões e intimidações, vem ganhando força à medida que a segurança pública tenta se adaptar a esse novo cenário, que se expande rapidamente devido à falta de políticas públicas eficazes e à presença limitada do Estado em certas regiões.
A reação das forças de segurança tem sido intensificada com operações policiais, como a operação Strike, que resultaram na prisão de diversos suspeitos envolvidos nos ataques. No entanto, especialistas alertam que o Estado ainda precisa aprimorar seu trabalho de inteligência para antecipar e desarticular as facções antes que elas se espalhem ainda mais. Além disso, há a necessidade de políticas públicas mais abrangentes e eficazes nas áreas de educação, saúde e cultura, que possam atacar as raízes sociais do problema e reduzir a influência das organizações criminosas no Ceará.