A revista Forbes destaca o crescente mercado dos “cat bonds” (títulos de catástrofe), instrumentos financeiros que permitem a investidores lucrar com os riscos de desastres naturais. Criados na década de 1990, esses títulos são emitidos por seguradoras e resseguradoras para cobrir perdas causadas por eventos como furacões, incêndios e terremotos. Se a catástrofe não ocorrer, os investidores recebem o valor investido com juros atrativos; caso contrário, parte ou todo o capital é usado para indenizar as seguradoras. Com um mercado global avaliado em US$ 50 bilhões, os cat bonds têm ganhado relevância devido ao aumento de eventos climáticos extremos.
A chegada do primeiro ETF de cat bonds, o Brookmont Catastrophic Bond ETF, à bolsa de Nova York, promete democratizar o acesso a esse nicho, tradicionalmente restrito a investidores institucionais. O fundo acompanhará 75 títulos, oferecendo diversificação e reduzindo riscos. Especialistas, no entanto, alertam para a volatilidade: se a demanda superar a oferta, os preços podem cair, afetando a liquidez. Além disso, o risco principal não está na solvência do emissor, mas na possibilidade de perda total do capital em caso de catástrofe.
O aumento de desastres naturais, impulsionado pelas mudanças climáticas, tem ampliado o interesse por cat bonds. Analistas apontam que seguradoras em regiões de alto risco, como Califórnia e Flórida, já enfrentam dificuldades para oferecer coberturas acessíveis, tornando esses títulos uma alternativa viável. Embora atraiam pela alta rentabilidade, são recomendados apenas para perfis sofisticados, dada sua complexidade e exposição a eventos imprevisíveis. O mercado, ainda em expansão, reflete a urgência global em lidar com os impactos financeiros da crise climática.