Um casal de empresários e mais de dez profissionais foram indiciados pela Polícia Civil de Goiás por nove crimes distintos, incluindo exercício ilegal da medicina, lesão corporal gravíssima e estelionato. As investigações apontam que uma clínica estética operava com estrutura aparentemente profissional, mas realizava procedimentos invasivos sem autorização sanitária, causando danos irreversíveis a pacientes, como necrose e deformações. Estima-se que pelo menos 6 mil pessoas tenham se submetido a tratamentos entre 2018 e 2019, muitas delas possivelmente com substâncias de alto risco, como óleo de silicone e PMMA.
O esquema contava com divisão hierárquica de tarefas, envolvendo desde a falsificação de documentos até a aquisição clandestina de insumos proibidos. As vítimas diretas identificadas somam 30, mas as autoridades investigam irregularidades em outros 100 atendimentos. O casal, preso pela segunda vez em março após breve libertação, teve bens bloqueados no valor de R$ 2,5 milhões, além de um helicóptero avaliado em R$ 8 milhões.
A defesa dos empresários criticou o inquérito policial, classificando-o como “imprestável” e alegando que o objetivo era manchar reputações. O caso foi encaminhado ao Poder Judiciário, e um novo inquérito investiga supostos embaraços nas investigações. Enquanto isso, a Justiça mantém os acusados presos, aguardando os próximos desdobramentos processuais.