O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a valorização do dólar em relação ao real no final de 2024 foi em parte impulsionada pela antecipação de dividendos por empresas. A medida visava evitar o impacto de um possível imposto sobre dividendos, que se acreditava que entraria em vigor em 2025. Ele explicou que muitas empresas enviaram grandes quantias de dinheiro ao exterior antes da implementação do tributo, e alguns bancos ajudaram essas operações com empréstimos para viabilizar os pagamentos.
Campos Neto observou que, após o envio dos dividendos, houve uma necessidade de “reverter” parte desse dinheiro no início de 2025, por meio de contratos futuros, para não prejudicar os rendimentos em reais. Essa movimentação também gerou um efeito no mercado cambial, com o dólar caindo cerca de 8% no acumulado de 2025, após uma alta de mais de 20% no ano anterior. A queda foi, portanto, parcialmente consequência dos movimentos realizados pelas empresas no final de 2024.
Além disso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recentemente propôs um projeto de lei para tributar todos os dividendos enviados ao exterior, o que pode gerar novas mudanças no comportamento do mercado. A antecipação de dividendos e as operações de “carry trade” (que envolvem o empréstimo em moedas de baixo rendimento para investir em moedas de maior rendimento) são questões chave nesse cenário, de acordo com Campos Neto.