Um buraco negro supermassivo de 600 mil massas solares pode estar viajando em direção à Via Láctea a uma velocidade de cerca de 300 mil km/s. A descoberta, realizada de forma indireta, surgiu a partir da análise de 21 estrelas hipervelozes que foram ejetadas do centro da galáxia. Esses corpos celestes, ejetados por um processo astrofísico conhecido como mecanismo de Hills, indicam a presença do buraco negro em uma galáxia anã distante. Surpreendentemente, esse buraco negro estaria localizado onde teoricamente não deveria, desafiando modelos atuais sobre a dinâmica das galáxias.
Os cientistas, ao simular a trajetória dessas estrelas, descobriram que elas vieram da Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da Via Láctea, e não do centro da nossa galáxia como se pensava inicialmente. O estudo mostrou que as estrelas ejetadas por um buraco negro supermassivo na LMC estariam gerando uma superdensidade de estrelas, o que reforça a hipótese da existência desse buraco negro, algo que pode modificar a compreensão sobre a LMC e suas interações com a Via Láctea.
A pesquisa também sugeriu uma nova abordagem para identificar buracos negros ocultos, utilizando estrelas hipervelozes como indicadores. A descoberta e a modelagem dessas estrelas hipervelozes permitem que os cientistas rastreiem buracos negros em regiões onde não há radiação visível. Se confirmado, o impacto desse buraco negro na LMC e sua fusão futura com o Sagitário A, no centro da Via Láctea, poderá remodelar a estrutura das duas galáxias ao longo de bilhões de anos.