O cientista político Fernando Schüler analisa o Brasil dos últimos anos como um experimento social, onde a ideia de um Estado controlador da verdade ou protetor da democracia mostra falhas na prática. Ele critica a lógica vigente de que a democracia precisa de mecanismos excepcionais para se preservar, argumentando que conceder poderes subjetivos ao Estado abre caminho para abusos. Schüler alerta que essa abordagem, embora justificada como defensora da liberdade, pode corroer os próprios princípios que busca proteger.
O especialista menciona o conceito de “autoritarismo instrumental”, criado nos anos 1970, para explicar como a cultura política brasileira frequentemente adota atalhos autoritários em nome de objetivos democráticos. Ele exemplifica com situações recentes, como pedidos por intervenção militar e casos de censura prévia envolvendo o Judiciário. Schüler destaca que essa mentalidade permeia tanto a esquerda quanto a direita, revelando uma tendência preocupante no país.
Por fim, o professor critica a interferência estatal em questões como expressão artística e debate público, defendendo que conflitos ideológicos devem ser resolvidos no mercado de ideias, sem mediação do Estado. Ele conclui que aceitar “uma pitadinha de autoritarismo” em nome da democracia pode levar a um declínio gradual das liberdades, enfatizando a necessidade de vigilância contra esses riscos.