O Brasil é o país com os maiores índices de depressão no mundo, afetando 11,3% da população, segundo dados do Ministério da Saúde. Apesar disso, o programa Farmácia Popular não inclui antidepressivos em sua lista de 41 medicamentos distribuídos gratuitamente. O governo federal afirma que os cuidados em saúde mental são oferecidos pela Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), com investimento de R$ 7,7 bilhões nos últimos cinco anos para quatro medicamentos na Atenção Primária à Saúde. Especialistas, no entanto, consideram a oferta insuficiente para atender a demanda, especialmente diante do aumento de afastamentos por problemas mentais.
A Sociedade Brasileira de Psiquiatria (SBP) destaca que a falta de opções terapêuticas no Sistema Único de Saúde (SUS) e no Farmácia Popular dificulta o tratamento adequado. Além da depressão, antidepressivos são usados para tratar ansiedade, dores crônicas e outros transtornos, mas os disponíveis no SUS são limitados e podem causar efeitos colaterais significativos. A SBP também alerta para a escassez de leitos psiquiátricos, que caíram de 120 mil para cerca de 10 mil, agravando o atendimento a casos graves.
O Ministério da Saúde reforça que a RAPS conta com mais de 6 mil pontos de atendimento, incluindo os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), e que os gestores locais têm autonomia para ampliar a oferta de medicamentos. Enquanto isso, o Farmácia Popular segue focando em doenças como hipertensão e diabetes, sem previsão de inclusão de antidepressivos. Especialistas defendem a expansão do acesso a tratamentos eficazes, já que transtornos mentais são fatores de risco para suicídio, que causa mais de 700 mil mortes anuais no mundo.