O governo brasileiro anunciou que avaliará todas as opções possíveis para enfrentar os impactos da sobretaxa imposta pelos Estados Unidos sobre as importações de aço e alumínio, que entrou em vigor no dia 12 de março. As discussões acontecerão em reuniões com representantes do setor público e privado nas próximas semanas, com o objetivo de proteger os interesses nacionais, incluindo um possível recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC). O governo classificou a medida como injustificável e destacou o impacto significativo que a tarifa terá sobre as exportações brasileiras, que em 2024 somaram US$ 3,2 bilhões.
O Brasil defende que a relação comercial entre os dois países é de complementaridade mútua, especialmente no setor siderúrgico, onde o país é um importante fornecedor de insumos essenciais para a indústria dos EUA. Além disso, as exportações brasileiras de aço semiacabado representam 60% das importações de aço dos EUA. O governo brasileiro reitera que as barreiras unilaterais não são justificadas, uma vez que os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil, que atingiu US$ 7 bilhões em 2024, apenas em bens.
Embora a retaliação tenha sido descartada, o governo brasileiro reafirmou a disposição de negociar com os EUA e buscou apoio ao multilateralismo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente, Geraldo Alckmin, enfatizaram a importância do diálogo para encontrar uma solução, com a possibilidade de retomar o sistema de cotas de importação anterior. O Brasil também se comprometeu a proteger sua indústria, considerando as sugestões recebidas do setor siderúrgico e rejeitando alegações de práticas de revenda de aço importado.