A Ben & Jerry’s entrou com uma ação contra sua controladora, a Unilever, alegando que a empresa violou o acordo de fusão de 2000 ao demitir o CEO David Stever, sem a aprovação do conselho da marca. A acusação é que a demissão foi motivada por comentários públicos da Ben & Jerry’s sobre questões progressistas, e não por falhas no desempenho do CEO. Em sua reclamação, a marca afirma que a remoção do executivo se deu devido ao seu compromisso com a missão social e os valores da Ben & Jerry’s, sendo uma tentativa da Unilever de silenciar a marca em relação a temas políticos e sociais.
A disputa entre as duas empresas começou em 2021 e se intensificou com ações da Unilever para impedir a Ben & Jerry’s de publicar posts nas redes sociais relacionados a assuntos como direitos humanos e justiça social. Em um incidente recente, a Unilever teria barrado uma postagem sobre Mahmoud Khalil, um refugiado palestino, e também outras publicações, como uma em apoio ao Mês da História Negra. A marca de sorvetes alegou que a censura foi imposta sem explicações claras por parte da Unilever, evidenciando uma tentativa de controlar a narrativa pública da Ben & Jerry’s.
Além disso, a Ben & Jerry’s já havia registrado uma queixa em 2024, alegando que a Unilever impediu suas ações em favor de refugiados palestinos e sua posição em relação ao conflito em Israel. Em meio a essas tensões, a Unilever anunciou que estava buscando vender a marca, embora ainda não tenha fechado um acordo. O caso reflete a crescente divergência de valores e interesses entre as duas empresas, especialmente em relação ao compromisso da Ben & Jerry’s com causas sociais e a pressão da controladora para alinhar suas ações ao mercado.