O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, afirmou nesta quarta-feira (26) que a instituição pode elevar as taxas de juros se os persistentes aumentos nos custos dos alimentos levarem a uma inflação generalizada. Embora a recente alta nos preços tenha sido impulsionada por fatores temporários, como custos de importação, Ueda destacou que há risco de esses aumentos se espalharem para outros setores, exigindo uma resposta monetária mais dura. O Banco do Japão manterá o foco na inflação subjacente, que exclui efeitos passageiros, para decidir o momento e a intensidade dos ajustes.
A inflação básica do país atingiu 3,0% em fevereiro, permanecendo acima da meta de 2% por quase três anos. Ueda ressaltou que, embora os indicadores de inflação subjacente estejam próximos do objetivo, ainda ficam ligeiramente abaixo. Caso a pressão inflacionária ultrapasse as projeções, o banco central está preparado para agir de forma mais contundente, potencialmente antecipando ou intensificando os aumentos dos juros.
A declaração reforça a cautela do Banco do Japão em equilibrar o estímulo econômico com o controle da inflação, especialmente diante de incertezas sobre a persistência dos custos dos alimentos. A abordagem reflete uma estratégia gradual para evitar choques na economia, mas com flexibilidade para reagir a cenários mais adversos. Enquanto isso, o mercado acompanha de perto os próximos movimentos da política monetária japonesa.