O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a política monetária está entrando em um patamar contracionista com certa segurança, mesmo para aqueles que projetam juros neutros mais elevados. Durante coletiva após a divulgação do Relatório de Política Monetária, ele destacou que o BC está avaliando se o nível atual de juros é suficiente para garantir a convergência da inflação. Galípolo ressaltou os mecanismos tradicionais de transmissão da política monetária, mencionando as defasagens após um ciclo de alta de 300 pontos base na Selic.
O BC continua monitorando indicadores como atividade econômica, expectativas de inflação e o cenário geral de preços para determinar se as medidas adotadas são adequadas. Galípolo admitiu que o ciclo de aperto monetário ainda não terminou, mas sugeriu que os próximos ajustes podem ser de menor magnitude devido às incertezas. A ata do Copom reforçou a possibilidade de um novo aumento na Selic na próxima reunião, porém em ritmo mais moderado.
O comitê busca preservar flexibilidade para decidir os próximos passos, reconhecendo que a inflação permanecerá acima da meta no curto prazo. Galípolo citou a desancoragem das expectativas e a trajetória de preços como motivos para manter o ciclo de altas, embora com cautela. A abordagem reflete um equilíbrio entre controle inflacionário e os riscos para a atividade econômica.