O presidente do Banco Central reforçou que a inflação deve permanecer acima da meta no curto prazo, mesmo com os juros em patamar elevado. Durante a apresentação do Relatório de Política Monetária, ele destacou que o BC já enviou uma carta ao Conselho Monetário Nacional explicando o IPCA acima do limite de tolerância e que outra deve ser necessária em breve. Apesar das incertezas, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve continuar elevando a taxa Selic, ainda que em menor ritmo, na próxima reunião em maio.
Galípolo negou que as decisões recentes de alta dos juros tenham sido influenciadas pelo ex-presidente do BC, enfatizando a autonomia dos diretores do Copom. Ele rebateu críticas sobre o compromisso da instituição com a meta de inflação, lembrando que o aumento de 3 pontos na Selic demonstra essa prioridade. O presidente também evitou comentar declarações de membros do governo, que sugeriram que as medidas já estavam pré-definidas, e reforçou que o BC age com base em dados e expectativas de mercado.
O BC reconhece os desafios do cenário atual, incluindo expectativas desancoradas e inflação acima da meta, mas afirma que a política monetária está ajustada para conter os preços no médio prazo. Galípolo minimizou sugestões de mudança no cálculo da inflação, como a adoção de um núcleo que exclua alimentos e energia, e destacou que o arcabouço atual é adequado. A instituição mantém o foco no diálogo com as variáveis econômicas e na transparência das decisões, sem descartar ajustes futuros conforme a evolução dos indicadores.