O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, comparou a atuação da autoridade monetária ao “chato da festa” que busca evitar excessos, mesmo quando a economia apresenta sinais positivos, como crescimento do PIB, redução do desemprego e aumento da renda. Em discurso, ele destacou que o BC tem o papel de preservar o poder de compra da moeda, evitando que um excesso de dinheiro em circulação desencadeie inflação e corroa o ganho real da população. Galípolo brincou ao afirmar que o presidente do BC raramente é “simpático”, pois suas medidas muitas vezes contrariam o otimismo momentâneo da sociedade.
Desde dezembro do ano passado, a taxa Selic foi elevada em 3 pontos percentuais, chegando a 14,25% ao ano, com dois desses aumentos ocorrendo sob o comando de Galípolo. O BC sinalizou que deve continuar o aperto monetário, ainda que em ritmo menor, para garantir que o dinheiro não perca valor e que a inflação não comprometa o poder aquisitivo no longo prazo. O presidente ressaltou que, ao tornar o crédito mais escasso, o BC busca equilibrar oferta e demanda, evitando descontroles futuros.
Galípolo também destacou a complexidade das decisões monetárias, que envolvem não apenas dados técnicos, mas também a percepção dos agentes econômicos. Ele explicou que há uma “arte” no processo, já que as expectativas do mercado influenciam os resultados. Apesar de parecer contra intuitivo frear a economia em um momento favorável, o BC age preventivamente para evitar que o crescimento acelerado gere desequilíbrios, reforçando seu papel de estabilizador.