Bali, conhecida como “O Último Paraíso” desde a década de 1920, enfrenta um dilema centenário: como equilibrar o crescimento do turismo com a preservação de sua cultura e meio ambiente. O adventurista francês-americano André Roosevelt previu os riscos da invasão de turistas ocidentais e sugeriu, já em 1930, a criação de um imposto para visitantes. Quase um século depois, a ilha implementou essa medida em 2024, mas os desafios persistem. Com 6,33 milhões de visitantes internacionais em 2023, superando o recorde pré-pandemia, Bali é um dos destinos mais cobiçados do mundo, mas também sofre com excesso de turismo, degradação ambiental e conflitos culturais.
As autoridades locais buscam soluções, como a taxação obrigatória de aproximadamente US$ 9 por turista e a intensificação da fiscalização de regras de comportamento, incluindo vestimenta adequada em locais sagrados e proibição de plásticos descartáveis. No entanto, apenas um terço dos visitantes pagou a taxa em 2023, e infrações como desrespeito a templos e poluição continuam frequentes. Enquanto o turismo representa até 70% do PIB regional, líderes balineses reconhecem a necessidade de migrar para um modelo de “turismo de qualidade”, reduzindo o foco no volume de visitantes e priorizando a sustentabilidade.
O debate reflete um conflito global: como destinos turísticos podem prosperar economicamente sem perder sua identidade. Bali serve de exemplo, com tentativas fracassadas de proibir motocicletas para turistas e limitar o acesso a montanhas sagradas. Especialistas argumentam que a taxação pode ser a solução mais viável, mas precisaria ser mais alta para desencorajar o turismo massivo. Enquanto isso, a ilha tenta conciliar sua dependência econômica do setor com a urgência de proteger seu patrimônio cultural e natural—um equilíbrio delicado que definirá seu futuro.