Pesquisadores chineses anunciaram progressos significativos no campo dos xenotransplantes, com um experimento em que um fígado de porco foi transplantado em uma pessoa com morte cerebral. O órgão funcionou por 10 dias, produzindo bile e albumina, embora em quantidades menores do que um fígado humano. O médico Lin Wang, do Hospital Xijing, destacou que o resultado sugere a possibilidade de usar órgãos suínos para apoiar pacientes com falência hepática, embora mais estudos sejam necessários para confirmar a viabilidade a longo prazo.
Outras iniciativas nessa área incluem um transplante de rim de porco em uma paciente chinesa de 69 anos, que está se recuperando bem quase três semanas após a cirurgia. Nos Estados Unidos, dois pacientes também receberam rins de porcos geneticamente modificados e apresentam evolução positiva. Esses avanços são parte de esforços globais para reduzir a escassez de órgãos, com cientistas modificando geneticamente porcos para tornar seus tecidos mais compatíveis com humanos.
Apesar dos resultados promissores, especialistas ressaltam que ainda há muitas incógnitas, como a durabilidade dos órgãos e os riscos de rejeição. Um cirurgião não envolvido no estudo chinês observou que a metodologia adotada — manter o fígado original do receptor — complica a análise. Enquanto isso, empresas como a eGenesis investigam técnicas alternativas, como o uso externo de fígados suínos para filtrar sangue, similar à diálise renal. O campo dos xenotransplantes avança, mas ainda requer cautela e mais pesquisas.