A crescente dívida pública brasileira tem impactado a política monetária, tornando os juros mais elevados e dificultando a estabilização econômica. O endividamento, que já representa 76,1% do PIB ao final de 2024, tem um perfil mais arriscado devido ao aumento de títulos indexados à taxa Selic, que elevam ainda mais o custo da dívida. Em contraste com os anos anteriores, o Brasil enfrenta um cenário fiscal mais desafiador, com menor margem para reformas e um crescente risco de inadimplência, o que reflete na alta das taxas de juros.
Com o endividamento em ascensão, a política monetária tem enfrentado limitações, exigindo um aumento mais agressivo na taxa Selic para controlar a inflação e conter os efeitos da dívida. A relação dívida/PIB do Brasil é atualmente mais alta do que na gestão de Dilma Rousseff, com a dívida bruta superando os 87% do PIB durante a pandemia de 2020. Além disso, a crescente pressão de juros internacionais, que afetam as taxas internas, tem ampliado ainda mais os desafios econômicos.
O perfil da dívida também se deteriorou com a adoção de mais títulos indexados à Selic, conhecidos como LFTs, que aumentam o custo da dívida em momentos de alta nas taxas de juros. Esse movimento tem gerado incertezas sobre a capacidade de pagamento do governo, já que a dívida é cada vez mais cara. Em um contexto internacional de juros elevados, o Brasil vê suas condições fiscais e monetárias se tornarem mais restritivas, demandando medidas mais drásticas para controlar os desequilíbrios econômicos.