A revista The Atlantic publicou nesta quarta-feira (26) o histórico completo de mensagens trocadas por autoridades do governo anterior dos EUA em um grupo no aplicativo Signal. O material, que inclui capturas de tela, revela detalhes sensíveis sobre operações militares contra alvos no Iêmen, como horários exatos de decolagens de jatos. Essas informações são normalmente classificadas, o que aumenta a gravidade do vazamento. O grupo foi criado por um ex-conselheiro de segurança nacional e incluía outras figuras-chave da administração, além do editor-chefe da revista, que teve acesso acidental às conversas.
Inicialmente, a The Atlantic reteve partes do conteúdo, mas decidiu publicá-lo após autoridades afirmarem que não havia dados classificados. Apenas o nome de um agente da CIA foi removido a pedido da agência. As mensagens mostram que alguns participantes foram mais cautelosos ao discutir operações, enquanto outros compartilharam detalhes específicos, aumentando a pressão política sobre os envolvidos. Desde meados de março, os EUA realizam ataques diários no Iêmen, mas o Pentágono não atualiza publicamente os resultados.
O caso deve gerar repercussões imediatas no Congresso, com a convocação de autoridades para depor. A crise reacende o debate sobre o uso de aplicativos pessoais para tratar de assuntos sensíveis e questiona a eficácia da estratégia militar dos EUA na região. A publicação pode ainda influenciar discussões sobre transparência e segurança na comunicação governamental.