O governo argentino busca um novo empréstimo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para reforçar as reservas do Banco Central e conter a inflação, que, apesar de ter caído de 287% para 66% ao ano entre março de 2024 e fevereiro de 2025, ainda preocupa. O ministro da Economia afirmou que o valor, ainda pendente de aprovação pela diretoria do FMI, é superior aos rumores anteriores e destacou que o objetivo é substituir títulos do Tesouro por dólares, sem aumentar a dívida total do país. Críticos, no entanto, veem a medida como uma forma de manter artificialmente o câmbio baixo, enquanto as reservas do BC continuam em declínio.
Especialistas questionam a sustentabilidade do empréstimo, já que a dívida pública argentina chega a US$ 471 bilhões, com juros anuais de US$ 22 bilhões. O diretor do Observatório da Dívida Pública argumenta que o FMI impõe condições rígidas, diferentemente do Banco Central, que permite refinanciamentos mais flexíveis. Além disso, há especulações de que o Fundo pode exigir o fim dos controles cambiais, como a limitação de compra de dólares por cidadãos, o que tem aumentado a demanda pela moeda estrangeira.
A expectativa do governo é fechar o acordo até meados de abril, visando elevar as reservas de US$ 26 bilhões para US$ 50 bilhões. Enquanto isso, analistas destacam a necessidade de um plano de desenvolvimento sustentável, já que a dependência de empréstimos históricos com o FMI não resolveu os problemas econômicos do país. A exploração de petróleo e gás em Vaca Muerta é apontada como uma possível fonte de receita futura, mas, por enquanto, a Argentina segue dependente de medidas paliativas para equilibrar suas finanças.