Os recifes de corais da costa do Rio Grande do Norte estão enfrentando sérios riscos devido ao aquecimento do mar e ao turismo desordenado. A morte de cerca de 70% dos corais de fogo entre os municípios de Rio do Fogo, Touros e Maxaranguape é um dos reflexos mais graves desses problemas. A região, que faz parte da Área de Proteção Ambiental dos Recifes de Corais (APARC), é monitorada pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), mas as ações humanas e as mudanças climáticas estão colocando em risco a biodiversidade marinha local. O aumento da temperatura da água tem provocado o fenômeno de branqueamento nos corais, que, apesar de ser um processo natural, ocorre com mais frequência devido às mudanças climáticas causadas pelas atividades humanas.
O impacto das altas temperaturas nos recifes de corais é especialmente grave porque muitos dos corais, como o coral de fogo, não sobrevivem ao branqueamento. Embora alguns corais, como o coral estrela, possam se recuperar, a maioria não resiste, prejudicando a fauna marinha que depende desses habitats. O aquecimento da água e o estresse causado pelas ondas de calor no oceano têm se tornado mais frequentes, dificultando a recuperação dos corais, que já não conseguem se alimentar de maneira adequada após a expulsão das microalgas que lhes fornecem nutrientes. Além disso, o turismo desordenado também tem exacerbado a situação, com embarcações irregulares levando turistas para áreas sensíveis, causando danos mecânicos e elevando a temperatura local da água, o que piora ainda mais as condições dos recifes.
A gestão da APARC tem se esforçado para controlar o turismo na região, mas as embarcações ilegais continuam a afetar os corais, especialmente os mais vulneráveis, como o coral de fogo. Embora haja esforços para proteger as áreas mais sensíveis e limitar a visitação, o turismo excessivo e as práticas inadequadas aumentam a pressão sobre os ecossistemas marinhos. Em 2024, o Idema identificou mais de 50 embarcações turísticas irregulares, intensificando as preocupações sobre o impacto humano na preservação dos recifes. A situação exige ações mais eficazes para equilibrar o desenvolvimento econômico e a proteção ambiental, a fim de garantir a sustentabilidade dos recifes de corais e a preservação da biodiversidade marinha da região.