O antropólogo brasileiro Eduardo Brondízio, reconhecido por mais de 35 anos de pesquisas na Amazônia, foi um dos vencedores do Tyler Prize 2025, considerado o “Nobel ambiental”. Professor da Universidade de Indiana e da Unicamp, Brondízio dividiu o prêmio de US$ 250 mil com a ecóloga argentina Sandra Díaz, marcando a primeira vez que sul-americanos são agraciados na história do prêmio. Suas pesquisas multidisciplinares combinam antropologia, ciências naturais e tecnologia para analisar as transformações socioambientais na região, destacando a complexidade dos sistemas produtivos locais, como o cultivo de açaí.
Brondízio enfatiza a importância de dar visibilidade às comunidades ribeirinhas, cujos sistemas agrícolas sofisticados são frequentemente subestimados. Ele critica a visão reducionista que desvaloriza o trabalho desses produtores, apontando como o mercado bilionário do açaí surgiu graças à adaptação dessas populações às demandas urbanas. Além disso, o antropólogo alerta para os desafios enfrentados pela Amazônia, incluindo a pobreza, a infraestrutura precária e o crescente impacto do crime organizado, que agravam as pressões ambientais e sociais na região.
Sua pesquisa também aborda questões globais, como o declínio de empregos na produção de alimentos, afetando principalmente comunidades rurais e indígenas em países em desenvolvimento. O Tyler Prize destacou suas contribuições para tornar visível o papel crucial da agricultura familiar na segurança alimentar mundial, além de sua defesa por investimentos contra a desigualdade. Brondízio reforça a necessidade de integrar combate à pobreza e proteção ambiental nas políticas públicas, especialmente diante das mudanças climáticas e da economia ilegal que transformam a Amazônia.