Os analistas do JPMorgan revisaram suas recomendações para o setor financeiro brasileiro, tornando-se mais cautelosos após uma série de reuniões com executivos de bancos, players digitais e reguladores. Eles rebaixaram as ações do Banco do Brasil (BBAS3) e do BTG Pactual (BPAC11) de “overweight” para “neutro”, citando um potencial de alta limitado após fortes valorizações acumuladas no ano — cerca de 30% a 38% em dólar para esses papéis. Apesar de manterem as estimativas de lucro e os preços-alvo para dezembro de 2025, os analistas destacam a falta de catalisadores de curto prazo e um retorno total projetado modesto, entre 12% e 18%.
O relatório aponta que os players do setor seguem cautelosos com o crescimento, especialmente devido a preocupações com a qualidade dos ativos, principalmente em segmentos como pequenas e médias empresas e clientes de baixa renda. Esses riscos podem afetar até mesmo o Nubank (ROXO34), embora nenhuma deterioração material nos portfólios tenha sido observada até o momento. Outro tema em discussão foi o crédito consignado privado, que recentemente voltou a ser oferecido por bancos como Banco do Brasil, Itaú (ITUB4) e Banco Pan (BPAN4), após desafios operacionais e jurídicos.
A decisão de reduzir a exposição ao Banco do Brasil e ao BTG reflete uma avaliação de que, embora ambas as ações tenham múltiplos atraentes, o espaço para revisões positivas nos lucros ou reduções no custo de capital é limitado no curto prazo. O JPMorgan mantém seus preços-alvo (R$ 31 para BBAS3 e R$ 38 para BPAC11), mas projeta um cenário desafiador para o setor em 2024, com avanços mais consistentes possivelmente só no final do ano. O Nubank, por outro lado, demonstrou otimismo com seu desempenho no México e a retomada do crescimento do PIX Finance.