Em 2024, o Brasil registrou um número recorde de afastamentos do trabalho devido a transtornos mentais, com mais de 470 mil casos, o maior índice dos últimos dez anos. A principal causa desse aumento está relacionada à exposição dos trabalhadores a situações de risco psicossocial no ambiente de trabalho, como metas excessivas, jornadas longas e assédio moral. Especialistas alertam que a intensificação das pressões e a precarização das condições de trabalho têm contribuído para o adoecimento mental de muitos profissionais, que se sentem sobrecarregados e sem apoio.
A partir de 2025, com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), o Ministério do Trabalho passará a fiscalizar com mais rigor as condições psicossociais nos ambientes de trabalho. Empresas que não se adequarem às novas exigências, incluindo a implementação de medidas preventivas e corretivas, poderão ser multadas, com valores que variam de R$ 500 a R$ 6 mil por cada situação identificada. A fiscalização será realizada com base em denúncias de trabalhadores, e o Ministério tem priorizado setores como teleatendimento, bancos e estabelecimentos de saúde, onde o índice de adoecimento mental é mais elevado.
Além das ações fiscais, o Ministério disponibiliza diversos canais para que os trabalhadores possam denunciar situações de risco, como o Canal de Denúncias e a plataforma Fala.br. O objetivo é criar um ambiente de trabalho mais saudável e equilibrado, garantindo que os empregadores adotem medidas adequadas para prevenir o adoecimento mental e promovam a saúde mental no ambiente laboral. A conscientização e a mudança na gestão das condições de trabalho são fundamentais para combater o crescimento dos afastamentos e melhorar o bem-estar dos trabalhadores.