Em 1919, Jacob Israël de Haan, um poeta e advogado judeu ortodoxo, chegou à Palestina sob o Mandato Britânico, inicialmente simpatizante do sionismo. Com o tempo, porém, ele se tornou um crítico fervoroso do movimento, defendendo uma convivência pacífica entre judeus e árabes palestinos. Sua oposição ao sionismo mainstream o tornou uma figura controversa, culminando em sua morte em 1924, assassinato atribuído a um membro de uma organização sionista. Esse evento, além de marcar a vida de de Haan, refletiu um momento decisivo na história política da região.
O assassinato de de Haan simbolizou a eliminação de uma visão alternativa sobre o futuro da Palestina, em favor de uma agenda política mais dominante. A eliminação de perspectivas divergentes não é um fenômeno isolado e tem se repetido ao longo do tempo. Hoje, um novo cenário se desenha, no qual a repressão a vozes críticas ao sionismo se intensifica, especialmente no contexto acadêmico e de ativismo palestino. A pressão contra aqueles que questionam a ortodoxia sionista tem aumentado, seja por convicções políticas, crenças religiosas ou princípios éticos.
A recente redefinição do conceito de antissemitismo nos Estados Unidos é apresentada não apenas como uma mudança de política, mas como parte de uma transformação mais ampla na democracia americana. Essa redefinição tem sido usada para silenciar críticas ao sionismo e intensificar um processo de marginalização e exclusão, o que levanta preocupações sobre a liberdade de expressão e a pluralidade de opiniões no país. O debate sobre essa redefinição, portanto, vai além de questões relacionadas à segurança de uma minoria, sendo um reflexo de um movimento mais profundo e potencialmente autoritário.