O texto aborda o debate sobre o papel da genética e do ambiente no desenvolvimento de habilidades e características humanas, exemplificado pela diferença de desempenho no exame SAT de dois estudantes. Enquanto alguns defendem que as disparidades são causadas por fatores ambientais, como o acesso a recursos educacionais, outros argumentam que a genética desempenha um papel crucial, já que habilidades como a leitura têm alta hereditariedade. No entanto, o autor defende que essa dicotomia entre natureza e criação é equivocada, propondo uma abordagem mais integrada, que vê a genética e o ambiente como fatores interdependentes que se influenciam mutuamente.
Através do conceito de sociogenômica, a ideia central é que os genes não atuam de forma isolada, mas interagem com o ambiente, criando um ciclo no qual características genéticas influenciam o comportamento e as respostas ambientais, que por sua vez reforçam essas características. Por exemplo, uma criança com predisposição genética para habilidades verbais pode buscar mais livros e interações que favoreçam o desenvolvimento dessas habilidades, gerando um ciclo de retroalimentação. Essa interação começa desde cedo, quando os pais tendem a investir mais em filhos com maiores predisposições cognitivas, mesmo antes de qualquer avaliação formal.
Por fim, o texto argumenta que, embora os genes desempenhem um papel importante, é essencial entender como fatores ambientais podem potencializar ou bloquear o desenvolvimento das habilidades genéticas. Circunstâncias como a pobreza ou a discriminação podem impedir que os genes atinjam seu potencial máximo. A interação entre genes e ambiente vai além da velha analogia de que o DNA é um conjunto fixo de instruções, e sugere que a formação do ser humano se dá por um processo dinâmico e contínuo, onde ambos os fatores se ajustam ao longo da vida.