O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que não está impedido de julgar o ex-presidente Jair Bolsonaro na denúncia sobre a tentativa de golpe de Estado, que será analisada pela Primeira Turma da Corte. Zanin, que preside o colegiado, ressaltou que não há nenhum fator pessoal que possa interferir em sua atuação no caso. A defesa de Bolsonaro questionou a imparcialidade do ministro devido à sua atuação como advogado de Luiz Inácio Lula da Silva durante as eleições de 2022, mas Zanin refutou essa alegação, destacando que sua atuação foi restrita a questões eleitorais e não teria impacto no julgamento em questão.
O presidente do STF, Luís Roberto Barroso, solicitou que Zanin e o ministro Flávio Dino se manifestassem sobre a solicitação de suspeição feita pela defesa de Bolsonaro. O ex-presidente também pediu o afastamento de Dino, alegando um possível conflito de interesse devido a uma queixa-crime apresentada por Dino em 2021, quando ele era governador do Maranhão. No entanto, Dino afirmou não ter nenhum desconforto em julgar o caso e considerou que não há motivo para questionar sua imparcialidade.
A denúncia, oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR), inclui 34 pessoas, entre elas ex-ministros, militares e Bolsonaro, e trata de crimes relacionados a uma tentativa de golpe, incluindo organização criminosa armada e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. A decisão sobre o andamento do caso será tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, que avaliará as defesas antes de agendar o julgamento. O ministro Gilmar Mendes, por sua vez, defendeu que não há motivos para questionar a imparcialidade dos magistrados envolvidos no caso.