A pequena ursa polar Nur, que nasceu no Aquário de São Paulo, vem gerando discussões sobre a presença desses animais em cativeiro no Brasil. Seus pais, Aurora e Peregrino, chegaram ao aquário há dez anos após não poderem retornar à natureza devido a circunstâncias adversas, como a caça da mãe de Aurora. A criação do recinto climatizado no aquário, com temperatura de até -15 graus, foi feita para garantir o bem-estar dos animais e contribuir para programas de reprodução e conservação. No entanto, esse tipo de projeto também enfrenta críticas de quem considera que ursos polares devem viver em seus habitats naturais, longe de espaços artificiais.
A ameaça de extinção dos ursos polares é um tema central no debate. Atualmente, a população mundial da espécie é estimada entre 22 mil e 31 mil indivíduos, com o aquecimento global afetando suas condições de vida no Ártico. A veterinária-chefe do Aquário de São Paulo, Laura Reisfeld, destaca que, embora a situação dos ursos no Brasil seja uma exceção, a preservação da espécie envolve colaboração entre países, como no caso da parceria com a Rússia. A experiência de Nur no aquário pode ter um impacto importante para a conscientização sobre o aquecimento global e seus efeitos ambientais.
O futuro de Nur ainda é incerto, com questões sobre sua permanência no Brasil ou possível transferência para outro local em análise. A decisão depende dos objetivos do programa de reprodução e conservação. O foco, porém, permanece em garantir que a ursa seja cuidada adequadamente, já que, por não aprender comportamentos essenciais com sua mãe, ela não pode ser reintroduzida na natureza. Com três meses de vida, Nur representa um símbolo de esperança e uma oportunidade de reflexão sobre o impacto humano nas mudanças climáticas.