O Brasil é o segundo maior exportador de etanol para os Estados Unidos, atrás apenas da Coreia do Sul, mas o volume enviado para aquele país representa apenas 1% da produção nacional. Em 2023/2024, o Brasil produziu 33,6 milhões de metros cúbicos de etanol, mas exportou apenas 2,5 milhões, sendo que a maior parte foi destinada a outros mercados, como Coreia do Sul e Holanda. A recente decisão de Donald Trump de adotar tarifas recíprocas para produtos importados, incluindo o etanol brasileiro, gerou discussões sobre os impactos para o setor.
A medida de Trump visa equiparar as tarifas de importação entre os países, já que os EUA impõem uma tarifa de apenas 2,5% sobre o etanol brasileiro, enquanto o Brasil cobra 18% sobre o etanol americano. Embora a nova tarifa recíproca tenha sido anunciada como uma possível forma de reequilibrar as relações comerciais, especialistas no Brasil avaliam que o impacto será limitado, já que o volume exportado para os Estados Unidos não é significativo para o mercado interno de etanol do país.
Apesar da reação das autoridades americanas, a pesquisadora Andréia Adami e o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Evandro Gussi, afirmam que o mercado de etanol brasileiro tem outros parceiros comerciais em potencial, como países asiáticos, para compensar qualquer possível perda nas exportações para os EUA. A medida de Trump, ao focar em produtos como o etanol, não representa uma ameaça substancial para o setor brasileiro, que tem uma base de produção voltada, principalmente, para o consumo doméstico.