O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Roberto Barroso, se manifestou a favor do voto distrital misto, uma proposta que, segundo ele, permite ao eleitor identificar de forma clara quem o representa. Durante visita a escolas em Campinas, Barroso explicou que o modelo combina a proporcionalidade com uma representação mais direta, o que ajudaria a diminuir o distanciamento entre a política e a sociedade. Ele elogiou a iniciativa do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, que criará uma comissão para discutir o Projeto de Lei 9.212 de 2017, que trata da reforma eleitoral.
O voto distrital misto, se implementado, faria com que cada deputado federal fosse eleito de forma individual, com base em distritos geográficos, ao invés de um sistema totalmente proporcional como o atual. A proposta foi inicialmente apresentada pelo ex-senador José Serra, foi aprovada no Senado e agora aguarda discussão na Câmara dos Deputados. Barroso afirmou que essa visão já foi defendida anteriormente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando a ministra Rosa Weber presidia a corte.
Além de comentar sobre a reforma eleitoral, Barroso foi questionado sobre a proposta de emenda à Constituição que defende o semipresidencialismo. Embora tenha expressado apoio à ideia em 2006, o ministro destacou que, no momento, considera mais urgente a mudança no sistema eleitoral. O decano do STF, Gilmar Mendes, também comentou a questão, associando o semipresidencialismo às distorções no controle do orçamento no Congresso Nacional, sugerindo que o debate sobre o tema se faça com mais profundidade.