A agência de classificação de risco S&P Global rebaixou o rating da Argentina em moeda local, devido à dificuldade do país em alongar os vencimentos de suas dívidas e emitir novos papéis no mercado interno. O rebaixamento, de CCC/C para SD/SD (default seletivo), reflete a incapacidade do governo em gerenciar seus compromissos financeiros de forma eficiente. A S&P também manteve o rating em moeda estrangeira da Argentina em CCC/C, com perspectiva estável.
A operação de troca de dívida mais recente, que envolveu a troca de US$ 6,5 bilhões em títulos em pesos com vencimento em março de 2025, tem como objetivo reestruturar o endividamento, com uma nova emissão de papéis a vencer em novembro de 2025. Desde março de 2024, a Argentina já trocou US$ 78 bilhões em dívida em moeda local, o que, segundo a S&P, demonstra uma prática recorrente de reestruturação, refletindo uma dificuldade em acessar o mercado local e prolongar os vencimentos.
Apesar da manutenção da perspectiva estável para o rating em moeda estrangeira, a S&P alertou para as vulnerabilidades econômicas persistentes da Argentina, como a necessidade de melhores resultados fiscais, redução da inflação e crescimento do PIB. Com os mercados de capitais globais ainda inacessíveis, o governo argentino continua a depender de leilões de dívida e do mercado local para gerir seus vencimentos, o que reforça a dificuldade fiscal do país.