Produtores mexicanos de tequila estão preocupados com a possibilidade de uma tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos, o que poderia impactar gravemente os negócios do setor. Com anos de dedicação para consolidar suas operações, as empresas mexicanas agora enfrentam incertezas devido à ameaça de elevação dos custos e ao risco de redução das vendas no mercado norte-americano. Melly Barajas, proprietária de uma destilaria no Estado de Jalisco, destacou que a produção de tequila exige um planejamento minucioso, desde a contratação de pessoal até o fornecimento de matérias-primas, e que a atual paralisação nos processos logísticos traz um grande obstáculo para o setor.
A tarifa proposta pelo governo dos Estados Unidos foi uma resposta às alegações de que México e Canadá não estariam fazendo o suficiente para conter o fluxo de imigrantes e drogas como o fentanil. Embora a medida tenha sido suspensa temporariamente, com um acordo entre os países para reforçar as fronteiras, o temor entre os produtores de tequila persiste, dada a incerteza econômica que envolve a imposição de tarifas no futuro. A medida afetaria diretamente o preço da tequila para os consumidores americanos, um mercado importante que, em 2023, superou o whiskey, tornando-se o segundo destilado mais consumido no país.
As importações de tequila para os Estados Unidos registraram um aumento significativo, chegando a US$ 3,8 bilhões entre janeiro e setembro de 2024, o que representa um crescimento de 13% em relação ao ano anterior. Esse aumento supera as importações de outras bebidas alcoólicas, como whisky, rum e gin, e coloca a tequila como um produto chave para a economia mexicana. Contudo, a introdução de tarifas poderia afetar essa tendência de crescimento e impactar negativamente a competitividade do mercado.