O impacto do bônus de Itaipu fez com que o IPCA de janeiro apresentasse um resultado abaixo da realidade inflacionária, com uma deflação que teria levado o índice a 0,71%. Contudo, espera-se que essa deflação seja compensada em fevereiro, quando o índice deve subir para cerca de 1,3%, devido ao aumento nas mensalidades escolares. Esse cenário sinaliza uma aceleração inflacionária a curto prazo, de acordo com economistas de diferentes instituições.
Especialistas como Alberto Ramos, chefe de economia para a América Latina do Goldman Sachs, destacam que o Brasil está enfrentando pressões inflacionárias crescentes e expectativas de inflação ainda desancoradas. A combinação de uma demanda superior à capacidade produtiva do país e um mercado de trabalho aquecido sugere que a política monetária precisará ser ajustada de forma mais restritiva para controlar a inflação.
Por outro lado, Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura, alerta para a piora na qualidade da inflação. Ele destaca que a baixa ociosidade da economia continua a pressionar os itens mais sensíveis à política monetária. Esse contexto aponta para desafios mais profundos para o controle da inflação e o equilíbrio da política econômica no Brasil nos próximos meses.