Especialistas alertam que o uso de estágios não remunerados em indústrias criativas pode ser ilegal e prejudicial ao acesso de jovens de classes trabalhadoras a oportunidades profissionais. Segundo esses especialistas, algumas instituições estão explorando lacunas na legislação trabalhista para manter estagiários em posições que, na prática, deveriam ser ocupadas por funcionários pagos. Essa prática impede que muitos jovens da classe trabalhadora consigam ingressar no setor, perpetuando a exclusão social e a falta de diversidade nas indústrias culturais.
O debate gira em torno da falha do sistema em garantir que estagiários não sejam usados de forma abusiva para realizar tarefas que não correspondem ao propósito educacional do estágio, como prevê a legislação. Muitas vezes, as tarefas desempenhadas por esses estagiários são as mesmas de empregados contratados, o que levanta questões sobre a legalidade da prática. A falta de regulamentação rigorosa e o uso de brechas legais por parte de algumas empresas contribuem para essa situação.
Com isso, especialistas defendem uma reforma nas leis trabalhistas para garantir que os estagiários não sejam explorados e que as oportunidades de trabalho no setor criativo sejam mais acessíveis a todos os jovens, independentemente de sua origem socioeconômica. A necessidade de uma maior fiscalização também é enfatizada para evitar que práticas prejudiciais continuem a afastar profissionais promissores, principalmente aqueles de origens mais humildes.